Sunday, May 18, 2008

Gropius


During my whole childhood in Brazil I envied kids who lived in high buildings. There seemed to be something magical and sophisticated about those standard homes where neighbours would share the same entrance, the same elevator, greet the doorman and, in some particular cases, even swim in the same pool.

I was a house-kid. My entrance was only mine, my dog had enough space to run around the house and the playground was the charming stone-paved little alley where my three-story house was located. A much better way of living, but that did not impress me at all.

I wanted to live like Christiane F. Call me insane, but her miserable life in Gropiusstadt in Berlin was fascinating to me, an 11 year-old Rio de Janeiro medium-class girl with no severe family issues, let alone drug addiction and prostitution in her everyday suburban life.

Today is Walter Gropius`s 125th birthday. The German archictect founded Bauhaus and opened the way to so many others like Kandinsky and Klee. He introduced the idea of economy in the use of land and habitational construction, applying prefabricated parts previously used in industrial construction for the sake of the working class.

Nowadays I don`t feel particularly attracted by such massive home solutions anymore. And feel relieved to have lived in my boring house in Brazil, not like Christiane F in Germany.

Photo by Gropiusstadt e.V.

Wednesday, May 14, 2008

Cabo de força da cretinice


Vem de Medelín — aquela mesma dos cartéis e Pablo Escobar (!) — a inspiração para os PACs no Rio de Janeiro. Embora o bondinho tenha virado ponto turístico na Colômbia, seu papel é muito mais importante que servir de cartão postal. É um elo fundamental na inclusão física e moral de cidadões menos favorecidos. Vale lembrar que praticamente a metade dos habitantes da cidade colombiana são favelados.

Na minha cidade, onde cada quinto habitante vive como em Medelín, estão previstas ações como saneamento, contenção de encostas, calçamento, iluminação pública, e construções de quadra poliesportiva, coleta de lixo, escola de ensino médio, centro de saúde e biblioteca no Complexo do Alemão.

Agora leio que falta tudo nas obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) no Rio de Janeiro. Sobrando mesmo, está a cretinice! Da mídia, da classe média, e de quebra de nosso presidente. Tiram o foco de um projeto genial para pô-lo em uma só pessoa, a ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff. A mídia faz questão de desdenhar do projeto demonizando Dilma. O presidente, naqueles casos em que a emenda sai pior que o soneto, insiste em apelidá-la de "mãe dos PACs". Precisa? Acho que não.

Eu tô cagando pro PAC ser eleitoral. Quero sim que as obras terminem, que venham a facilitar a vida de quem leva milênios pra chegar no trabalho e larga seus filhos abandonados sem qualquer opção de lazer, cultura ou educação nas mãos dos tráfico.

Para encerrar, tenho que citar meu ídolo Nélson Rodrigues.

É preciso ir ao fundo do ser humano. Ele tem uma face linda e outra hedionda. O ser humano só se salvará se, ao passar a mão no rosto, reconhecer a própria hediondez.

Wednesday, May 07, 2008

Titia


Estava esperando o bebê da Renata nascer para publicar esse texto que adoro da Fernanda Young. Só que, pela alta incidência de bebês sendo gerados ultimamente, tive que adiantar a publicação.

Vou ser titia. Diva, minha irmã com quem nunca entro em sintonia, furou a fila e resolveu me dar um sobrinho (a).

Aliás, esse texto é a cara dela. Imagino todas as regalias que exigirá por carregar em seu ventre o primeiro herdeiro dessa família de padres e divorciadas de carreira. Tá bom. Vou dar esse crédito a ela.

JB, 31/JUL/2001.
Caro Jacques,

Carta serve para aliviar a sensação de que não fomos anteriormente compreendidos. Então a gente escreve uma carta quando acha que o outro devia receber, não quando a gente devia mandar. Quando o outro precisa entender aquele detalhe a mais, que ele displicentemente deixou passar. Um pequeno ingrediente da história que, pôxa, perdendo-se, leva a coisa toda junta para o brejo.

Mulheres escrevem mais cartas. Muito mais. Não quer dizer que as enviem, mas escrevem. Li recentemente um livro que fala exatamente sobre isso, e é a pura verdade. Tanto que meus romances podem ser considerados montanhas de cartas que eu não mandei. E agora, que surgiu essa oportunidade, quero começar a escrever e mandar, cartas e mais cartas. E mandar bem, quero dizer, mandar certas coisas para as pessoas certas. Mas não, não tema. Sua carta não é desaforada. Algumas serão, sim, no entanto a sua é apenas melancólica. Porque, pensando no que poderia dizer numa crônica semanal, lembrei-me das nossas antigas e semanais conversas. E me toquei que era mais fácil ter idéias quando ainda as tínhamos. E, um passo adiante disso, tive saudades brandas. Se fosse uma saudade avassaladora, você sabe, eu, de novo, ligaria. Mesmo que fosse só para dizer novamente que você é o Buda dos medíocres. Mas ligaria. Palavras ao telefone são, porém, convites aos mal-entendidos. E, cacete, estou cansada de ser mal-entendida. Por isso esta carta. Para lembrar você de que estou aqui, vivendo experiências novas demais para aguentá-las sozinha. Não sozinha sem amigos - alguns sobraram - nem sem amor - ele vem aos montes desses poucos amigos e de minha pequena e deliciosa família -, mas sozinha sem psicanalista. E, Jacques, você deveria saber que isso não se faz com ninguém. Pelo menos, no mínimo, eticamente. Psicanalistas não somem, não podem sumir. Desconfio até que são uns dos únicos que não podem sumir por lei. Psicanalistas e mães. Sendo que, das mães, não pretendo assumir o papel ridículo da cobrança choramingas. Vou fazer delas, portanto de mim, tão somente um bom assunto para iniciarmos essa improvável correspondência.

O fato é que, depois que virei mãe, luto infernalmente para não ceder às tentações de tornar-me uma chantagista. É que de mãe para chantagista é um passo de bebê. Aliás, a maternidade aflora diversos aspectos perigosos no caráter feminino, do horror aos ventos à paixão por doces. Embora nos acostumemos a ouvir somente a parte mais poética sobre o assunto. É que precisa ter muito colhão para assumir que a coisa não é tão bonitinha assim.

Para começar, mães não parem apenas devoção ou natureza. A gestação avaliza as poucas vantagens às quais as mulheres têm direito; é como o carimbo necessário para que possamos retirar certas regalias no guichê. Nada mais justo, já que o mundo todo veio, vem e virá das mães. O domínio só não está nas mãos da gente porque somos umas loucas. Umas loucas com poder - olha que susto! Eu tenho a força! Perigo, perigo! Com a complicação extra das mães terem a mania de acreditar que o universo lhes deve alguma coisa. Bom, veja bem, estraguei meu corpo, fiz um contrato de nunca mais dormir bem na vida, fui uma microempresa de laticínios por quase um ano sem auferir lucros, estragando meus seios para todo o sempre até chegar a plástica; então eu mereço o melhor assento em qualquer lugar. Presentes inusitados de meu marido, dos meus pais, dos meus irmãos. E interesse dos amigos, que só me ouvem falar de filhos. E condescendência do professor de yoga, pois não faço mais os ássanas direito, por não ter me recuperado da bomba atômica na barriga que é uma cesariana. Sem falar que, com toda a certeza, meus hormônios ensandeceram de vez, a ponto de clamarem ao mesmo tempo por chocolates e paz de espírito.

Essa fixação feminina com a sua prole é, dessa forma, bestial e compreensível, como um terrorista basco. E, nisso, toda mulher, ao tornar-se mãe, fica apenas mais uma, porém mais uma maravilhosa uma. Nada a difere, no cerne do mais íntimo, do uterino mesmo, de nenhuma outra mãe, mas é tudo tão diferente. Um exemplo disso é minha amiga Suzana - você sabe quem é. Sempre nos encontramos para morrer de rir de nós mesmas, as mãezonas, e elucubrar sobre novas velhas imprecisas impressões. Suzana implacável, espertíssima, estimulando bons momentos em mim sem que eles, nela, façam necessariamente eco. É curioso como, juntas, temos nos aperfeiçoado nestes momentos de pequena malvadeza materna. Está, inclusive, cada vez mais fácil passar os minutos entregues a constatações terríveis. Outro dia, até, criamos um refrão que daria uma puta música do Lulu Santos: ''quero ser esperto na medida certa''. Porque somos mães e bitches, temos maldade mas em bom coração. E quem lê estas linhas deve pensar que somos astutas e infernais, que nem duas Cindy Laupers brandando hinos às bad girls. Até somos, às vezes, tem dias, mas... Antes de todos os esterônios purpurinados, e batons sóbrios em bocas sóbrias, das unhas vinho e dos cigarros proibidos, a coisa nos iguala e acalma as indiossincrasias; digo a coisa dos humores ferinos advindos da ternura das proles. A coisa de ter filhos. Que - pasma constatei - torna o jogo mais divertido e brilhante. Até a inteligência doméstica, que pensei que jamais possuiria, aflora em sensatez com os mantimentos. O olfato de lobo, a sentir aromas que não conheço causa ou efeito. Cafona, né? Mas foda-se. Adoro a precisão térmica de vestir os bebês para um passeio. Os ouvidos que reconhecem quando choro longíquo vale a pena a ida. Essa sabedoria orgânica, molecular, que a mulher ganha de brinde junto com o saco aminiótico, a placenta, o ácido fólico, os hormônios do aleitamento, e sei lá o quê. A verdade é que é bom demais, chega a dar onda. Mas é preciso ainda mais cuidado com as sombras da avidez e vaidade.

Assim sendo, por isso tudo que sequer narrei, eu mereço mais. E um dia, sei, me acharei no direito de fazer cobranças horríveis às minhas filhas, e exigir delas que percam uma viagem imperdível para cuidar de mim.

O mundo poderia até se tornar melhor caso essa tendência meio mesquinha meio psicótica das mães fosse controlada. Mas sabe, Jacques, é difícil. Ter filho dá um treco na cabeça das mulheres, que elas ficam doidonas de vez. Um tipo de barato permanente, em ressaca permanente, que é um coquetel de sensação heróica, estado de graça, culpa, raiva e um amor desembestado. Por isso não vou temer que me joguem no asilo da velhice; eu mesma ponho-me nele se for necessário. Pretendo mesmo morar longe das minha filhas e ligar só quando elas ligarem primeiro. Estar sempre do lado delas quando elas quiserem. Mas não juro que, intimamente, eu não vá pensar: é, são umas mal-agradecidas. Porque - você vai perceber isso na sua - mulher mãe é um ser bem primitivo mesmo. E todas, de alguma forma, serão sempre iguais nessa premissa.

Parabéns pelo nascimento de Sophia. E cuidado com a esposa, ela agora é a dona do mundo. Sabe mais do que você e seus 23 livros de Freud.

Tuesday, May 06, 2008

Debauchery

A virtuous woman, she had never been one.

Hedonism, excitement, exposure, sensuality, pleasure, carnality, mundaneness. If it weren’t for her contradictory respect for others, these words would have shaped all her days. She had to tame herself, though. Sacrifice her desires for love, work, family.

Replace the debaucheries with some sensibility — that is how her life had been saved from complete decadence a couple of times already.

A social beast, she had turned into.

Friday, May 02, 2008

Pés Descalços na Festa


Se tem uma coisa que me incomoda é ter que tirar os sapatos na casa dos outros.

Entendo que haja pessoas preocupadas com germes em seu lar. Minha mãe tinha mania de citar todas as sujeiras da rua quando púnhamos os pés calçados no sofá: poeira, cuspe, cocô, xixi. O efeito era tão nojento que voltávamos com os pés para o chão imediatamente.

No caso de uma festa, no entanto, acho deselegante exigir que seus convidados tirem os sapatos por dois motivos básicos:

1) Ninguém vai dizer não, para evitar o desacato aos anfitriões. É por os convidados entre a cruz e a espada.
2) Os sapatos, assim como as roupas, são parte do visual que o convidado compôs para participar da festa. Exigir que retire-os significa atrapalhar o figurino.

Além disso, evitam-se gafes como a do Paul Wolfowitz, ex-presidente do World Bank, que quando em visita à Turquia "pagou dedão-do-pé" com meias furadas numa mesquita.

Wednesday, April 30, 2008

Crioula Navegante

Ela nasceu em Cuba, de pais cabo-verdianos. Atualmente vive em Paris, mas já passou por Senegal, Angola e Alemanha.

Topei com uma mini resenha numa revista francesa da cantora Mayra Andrade e arrisquei. Comprei o CD Navega "às surdas" e não me arrependi.

Mesmo com tantas andanças Mayra não perdeu a regionalidade. É mais moderna (e bonita!) que a conterrânea Cesária Évora, sua voz vem como uma brisa marítima. Sem nunca ter estado em Cabo Verde, me remeto à uma de suas ilhas sentada num quintal tomando café da manhã num dia preguiçoso já banhado de sol.

Monday, April 28, 2008

Vovó Franca


Lá no hospício virtual, vulgo Orkut, tem uma comunidade cujo nome adoro: "Quero ser uma vovó franca".


Ao meu ver erraram ao por uma foto da Monique Evans — que para mim tá mais para perua que vovó franca — mas, de qualquer forma, gosto muito da idéia por trás da comunidade.


Eu odeio velho rabugento. Amo velhos produtivos que pintam os cabelos de vermelho e ousam deixar as madeixas longas, que calçam All Stars, usam óculos de gatinho, vestem roupas coloridas e ca-ga-ram para as rugas na cara.


São mulheres como Vivienne Westwood, Doris Lessing, Neelie Kroes (Comissária de Competições da União Européia) e as já falecidas falecidas Astrid Lindgren (criadora da Pippi Longstocking) e Simone De Beauvoir.


Ou a vovó da foto da campanha da American Apparel, uma de minhas marcas favoritas. Não é linda?